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 O LADO ESCURO DA LUA ( BonVent e Maggio )

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BonVent
Major
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Masculino Áries Macaco
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Alinhamento : Nobre

MensagemAssunto: O LADO ESCURO DA LUA ( BonVent e Maggio )   Sab Abr 03, 2010 1:56 pm

O LADO ESCURO DA LUA



-Eu sabia que alguma coisa de ruim iria acontecer naquele lugar. Eu sabia, eu sabia!
-Shhh... cale-se, criatura insensível. Não percebe que ele está abalado? Ele está sofrendo. Nem escuta suas incoveniências, mesmo você falando dentro da mente dele. Respeite sua dor e deixe-o sofrer em paz.




A lua minguante refletida nas águas da Baía do Dragão faz parecer que há duas luas. Uma é real, sabe-se. A outra é mera ilusão. Ambas aparentemente tão próximas, tão promissoras. Mas são, na verdade, igualmente distantes, inatingíveis a seres comuns, apenas tocadas pelo olhar. As lendas contam que a Lua é uma deusa. Deusa da cura, da Vida. Mas a lua minguante realça sua outra face; escura. Sentado numa pedra na entrada do cais do porto, na Cidade do Dragão, Maggio reflete sobre a vida e sobre a morte.



Batidas em sua porta despertam AmerVent. São batidas fortes e insistentes que denotam urgência. Enquanto veste um leve penoir reconhece, em meio as repetidas batidas a porta, a voz de seu irmão mais velho chamando 'Mellandra...Mel...Mel...'. Era perguntado aos que se decidiam seguir carreira militar se desejavam seguí-la com seus nomes reais ou assumir uma nova identidade oficial usando um codinome, um 'nome de guerra'. Desde então, AmerVent nunca mais ouviu chamarem-na pelo nome que seus pais lhe deram; Mellandra Vent. Era considerado, no mínimo, desrespeitoso que alguém que soubesse dessa mudança oficial não a cumprisse e seu irmão agora cometia essa falha. Pensava em corrigí-lo veementemente ao abrir a porta.



Apoiado em sua perna direita está seu companheiro de desabafo. Ele já foi companheiro de dias de sonhos e felicidades, noitadas de festas regadas a bebidas e afeto ao lado dos dois seres mais amados: Rennaa, a namorada, amada, amiga, amante, que lhe mostrou novas possibilidades no viver; e DuVent, o amigo verdadeiro, ingênuo e puro, irmão com o qual a vida o presenteou e a quem Maggio deve a própria continuidade do viver posto que salvou-o mais de uma vez. Mas a Vida dá e a Vida tira. Hoje cada um vive suas vidas, missões e responsabilidades restando a Maggio abraçar seu instrumento, tocar suas cordas. E se a Vida os arrancasse dele para sempre?



Foi tão rápido que se BonVent fosse um inimigo ela estaria morta pois mal abriu a porta e o irmão saltou sobre ela, apertando-a contra o peito, imobilizando-a num abraço tão forte que ameaçou sufocá-la. E então BonVent chorou. Um choro alto, convulsivo. AmerVent não sabia o quê fazer. Milhões de coisas passaram pela sua cabeça. DuVent... NoirVent... algo grave havia acontecido com um deles. Ou com ambos. Mas BonVent não falava nada, só chorava, chorava e chorava. Depois de algum tempo e esforço conseguiu desvencilhar-se do abraço que o irmão relutava em desfazer e viu sua face inundada pelas lágrimas, transfigurada pela dor. 'BonVent...Lomn...o q uê aconteceu? Pelos deuses, você está me deixando assustada. O quê houve BonVent?



Um pouco mais distante a égua Névoa, um dos raros presentes de seu pai que ele aceitou, pasta. No ar, Anjo, seu falcão celestial, sobrevoa a Baía do Dragão enquando no chão Souvenir, sua cadelinha, brinca ao seu redor. Ambos foram presentes de seus amigos quando partiram. Desde então foram raras as oportunidades de Maggio ser ele mesmo, mostrar-se como era e o que sentia. Adotou uma postura superficial evitando assim revelar o que pensava de verdade e, consequentemente, conflitos com terceiros. Quando lhe vinha uma necessidade de desabafar pegava seu instrumento, suas mascotes e se isolava, cercando-se apenas de suas lembranças. Como agora.



É quase impossível para BonVent sair do turbilhão emocional no qual se encontra.Todo seu corpo treme, seus músculos estão enrigecidos, seu coração bate aceleradamente, sua cabeça parece que vai explodir. Vê através das lágrimas o difuso rosto da irmã que ele criou desde bêbe. O amor que sente por ela é imenso. Ela é sua filha. Está agitada e mexe as mãos e os braços olhando para ele como se clamasse aos deuses. Mas Mel...AmerVent não acredita ou não gosta dos deuses. Ela o segura pelos braços e o sacode. Só então BonVent a escuta. 'Fale'. É um berro, quase um grito, meio ordem, meio súplica. E BonVent pronuncia inacreditáveis palavras: 'Ela está morta...morreu diante de mim. Alnairan está morta'.



Lembra-se da arqueira impetuosa e letal, de temperamento reservado, difícil até. Excelente companheira de batalha fora delas era distante para quem não era de seu restrito círculo de amizades. Maggio não fazia parte dele. Talvez porque sempre confundisse seu posto, chamando-a de capitã, no que era imediatamente corrigido. Talvez porque ele se apresentasse como um fútil 'conquistador barato'. Mas recentemente, na Cidade da Presa, ocorreu que ela, passando por momentos conflituosos, lhe expôs dúvidas e angústias pessoais, dando a ele a chance de falar sinceramente o que pensava, por exemplo, sobre vida/morte. Numa situação excepcional a major revelou-se insuspeitadamente frágil e chegou a afirmar que invejava a mortalidade dos humanos. Foi a única vez em que sentiu-se mais próximo da arqueira. Olhando, agora, para o céu Maggio pensa que se a parte luminosa da Lua prenuncia vida, sua face escura anuncia a Morte. Hoje ela chegou para a Major Alnairan.



Era alta madrugada quando finalmente BonVent adormeceu. AmerVent cedeu-lhe o leito. Sentia-se aliviada. Por momentos temeu por seu outro irmão e seu sobrinho. É cruel mas é a verdade. Não conheceu a arqueira e por isso, para ela, foi mais uma notícia de morte. Eram tempos de guerra. A morte rondava cada ser vivente. Mas sabia do afeto que seu irmão sentia por ela. Várias vezes ele disse o quanto as achavam parecidas. 'Ela me lembra você'. Nessas horas AmerVent imaginava o vazio no coração de BonVent quando ela e seu sobrinho decidiram partir, deixando-o só, naquela casinha nos arredores da Vila Bambu. Agora imagina o vazio que essa perda brusca e definitiva trouxe ao seu irmão deixando-o tão transtornado ao ponto de procurá-la no meio da noite, bater em sua porta de forma tão desesperada e abraçá-la como se ela fosse um tronco à deriva e ele um naúfrago num mar de angústias. 'Ela foi morta diante de mim e não pude fazer nada para ajudá-la pois uma magia infernal fazia minhas curas aumentarem seus ferimentos. Oh, Mel, nunca me senti tão impotente, tão inútil, vendo a vida abandonar o corpo de Alnairan sem poder fazer nada para salvá-la'. Sentada num tapete aos pés de sua cama AmerVent estremece ao pensar, por instantes, que também pode perder BonVent para a morte.



-Ele está mais calmo. Não o perturbe, SFOJO. Vá caçar abelhas.
-Mas KRSTL, abelhas tem ferrões. Eu as como depois que BonVent as mata senão elas picam minha língua.
-Ai, criatura inútil! Faça qualquer coisa mas não incomode seu sono. BonVent tem espírito forte. Sua alma logo ficará tão brilhante quanto antes mas ele precisa descansar.
-É, você sempre diz que pode ver a alma de BonVent.
'-E posso mesmo, dragão idiota. A alma dele é linda, brilhante, límpida. Ele está abalado agora mas logo irá se recuperar. E muito em breve irá dar o passo definitivo que irá nos unir para sempre. Ele será imortal.




Sentado numa pedra na entrada do cais do porto da Cidade do Dragão Maggio toca uma canção de vida e morte.


Atenção
Ao dobrar uma esquina
Uma alegria
Atenção menina
Você vem
Quantos anos você tem?
Atenção
Precisa ter olhos firmes
Prá este Sol
Para esta escuridão

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino, maravilhoso
Atenção para o refrão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção
Para a estrofe e pro refrão
Pro palavrão
Para a palavra de ordem
Atenção
Atenção prá esta canção ( para o samba-exaltação )

Atenção tudo é perigoso
Tudo é divino, maravilhoso
Atenção para o refrão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção
Para as janelas no alto
Atenção
Ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção
Para o sangue sobre o chão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte




FIM







NOTA: A música cantada por Maggio, [i]Divino, Maravilhoso[/i], é de autoria de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Para se adequar ao conto o verso original 'para o samba-exaltação' foi alterado para 'atenção prá esta canção'. Que Caetano e Gil nunca saibam dessa violência.




PS: Essa fic se presta a muitas coisas. Uma delas é dar continuidade a minha necessidade de diferenciar Maggio de BonVent mostrando como cada um se comporta diante de um mesmo fato. Outra é apresentar alguns personagens da vida do meu sacer preferido. AmerVent, sua irmã caçula, é sacer de armadura leve mas queria ser arqueira. SFOJO, seu dragão capaz de voar e se transformar em montaria e tem nas abelhas o seu prato favorito, comuníca-se telepaticamente com BonVent. KRSTL, que no jogo é sua daimon e será sua fada quando virar god, é uma entidade mágica que pode 'escutar' o que SFOJO 'fala' para BonVent mas usa a fala comum para se comunicar tanto com um quanto com outro. NoirVent, filho de sua falecida irmã mais velha, é arqueiro e BonVent tem poucas notícias dele desde que saiu de casa para encontrar seu pai que reapareceu depois de muitos anos tido como morto. Sobre DuVent já existe informações em outro conto ( SONHOS ). Serve também para usar a 'licença poética' como desculpa para 'roubar' música e título alheios.

PS2: Após tantas reformas ortográficas pelas quais passei a acentuação virou um caos na minha cabeça.
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Ashlar
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MensagemAssunto: Re: O LADO ESCURO DA LUA ( BonVent e Maggio )   Sab Abr 03, 2010 2:17 pm

Maravilhoso o conto!

E adorei o fato de ligar o que escreve sempre a uma música. Adoro Caetano e Gil ^_^

ahh, o Gil, ele é capaz de tratar temas difíceis com uma sensibilade e honestidade tocantes.

alguém conhece esse vídeo?
http://www.youtube.com/watch?v=wC5w8GvlKwo

sério... eu chorei (emo)
depois me senti bem o.o

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BonVent
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MensagemAssunto: Re: O LADO ESCURO DA LUA ( BonVent e Maggio )   Sab Abr 10, 2010 2:36 pm

Não conhecia esse vídeo e nem a música, Ash. Linda, por sinal. A música do conto foi apresentada num festival no final dos anos 60 ( acho que 68 ), cantada e posteriormente gravada por Gal Costa. A letra é do Caetano e a música, maravilhosa, é do Gil. Havia um contexto sócio-político-cultural ao qual ela se encaixava na época mas eu, um garoto suburbano, não 'captei'. Fiquei com o lado mais 'filosófico'. É essa visão mais 'pessoal' q coloco no conto.
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Sethers

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MensagemAssunto: Re: O LADO ESCURO DA LUA ( BonVent e Maggio )   Sab Abr 10, 2010 4:22 pm

(até que enfim li a fic 8D)

Muito bom, Bon!! (ecooo)
Fic ótima, o jeito como descreve as cenas e as falas realmente me tocou Sad
Não sabia que a familia Vent era tão grande xD
Parabens Bon ^^

PS: Tudo e perigoso e ao mesmo tempo maravilhoso?? PARADOXOOOOOOOOOOO *mundo explode*


Última edição por Thanathos em Sab Abr 10, 2010 4:24 pm, editado 1 vez(es) (Razão : OMGWTFPARADOX)
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MensagemAssunto: Re: O LADO ESCURO DA LUA ( BonVent e Maggio )   

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